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Sábado, 17 DE Fevereiro DE 2007

A saga da Estafet@ vai na 38ª Etapa.

A Estafeta (Estafet@ ou E@) consiste basicamente no transporte e passagem de um testemunho constituído por uma bandeira de Portugal acompanhada por uma corrente de bicicleta. Quem faz as diversas etapas são amigos que se conhecem através da lista Velocipédia (V@) e que tem a mesma paixão, movimentar bicicletas. O Pai da iniciativa, Pedro Brites idealizou que as etapas deviam ser o mais directas possíveis e deviam de privilegiar os caminhos de todo o terreno, na passagem do testemunho deve-se acrescentar um elo à corrente de bicicleta marcando assim o nº de etapas já feitas.
 
A corrente da E@ já exerce uma certa magia pelo poder de conseguir cativar a vontade de todos nós da V@ de a receber nas mãos. Mas depois de a ter, o peso da consciência de a libertar o mais depressa possível começa a pesar. A corrente parece ter vontade própria, pede por liberdade de se mover para outra terra, sente-se que não pertence a ninguém, reclama para si a soberania de um património de todos nós e quantos mais elos tem, mais poderosa fica...
Eu já me livrei dessa responsabilidade, com gosto já a passei para outro amigo...
Para aumentar mais ainda esse poder, juntei-lhe um elo de corrente para mim bastante simbólico. Quando praticava ciclismo de estrada comprei uma corrente amarela da marca sedis ” fabricada em Portugal, eram as melhores correntes na altura, como é normal sobram alguns elos, foi um desses que cravei... Por conseguinte se a corrente desaparecer ficarei bastante... Zangado...
 
Mas além do elo, cravou-se à história da E@ mais uma etapa, para mim admirável pelo numero de participantes. Mesmo com tempo de Inverno rigoroso, trinta pessoas disseram presente, entre o grupo uma senhora, os jovens do BTT Matosinhos um sénior de 69 anos, todos unidos com vontade de pedalar... Isto só pode ser explicado pelo poder da corrente... Com grupo assim só vem aumentar ainda mais o peso da responsabilidade sobre o seu guardião temporário... Até quando continuará esta saga que dura desde o ano 2001?
 
O dia da 38ª Etapa.
 
Saí de casa às 08h45 acompanhado provavelmente com o mais novo e motivado ciclista do dia, o meu filho de nove anos. Bem, enganei-me quanto à motivação, nesse dia chuvoso, com vento, neblina onde só apetece ficar debaixo dos lençóis ... Passados poucos minutos depois da hora marcada estava eu a mostrar o testemunho e a tirar fotografias a um grupo de... Trinta pessoas!!
Fiquei um bocado atrapalhado, pois devido ao tempo estava a pensar ir quase sozinho com o meu filho, não tinha mais ninguém para ajudar a levar o grupo pelos caminhos que só eu conhecia e alguns o meu filho. Se estivesse bom tempo o numero saltava provavelmente para o dobro!?
Mas o grupo era divertido e de luxo com dois moderadores da V@ os Jorges Rocha e Moniz o carismático casal K2 com o Miguel Sampaio a oferecer abraços e queijos da serra, neste caso substituídos fisicamente por frutos secos, o sénior Ximbra de 69 anos a fazer equipa com o meu filho de 9, o Prof. Augusto repórter X Sousa atento em registar digitalmente todos os pormenores e muitos, muitos amigos conhecidos da V@ e outros tantos não conhecidos mas na mesma bem vindos, onde se explicou um pouco em breves palavras a história da E@
E assim este pelotão sempre unido (felizmente, ufa... consegui não perder ninguém, esteve quase mas... correu tudo bem) percorreu um percurso desde a estação do metro de Vilar do Pinheiro até ao Mosteiro de Stª Clara em Vila do Conde, na maioria por caminhos de terra com muita lama, onde se pode apreciar uma paisagem rural, mas a perder terreno para a do betão das construções essencialmente de utilização no Verão. Infelizmente também passamos por caminhos cheios de lixo a servir de exemplo do mau civismo de alguns Portugueses. Com exemplos destes frustra-se as já poucas perspectivas de bom turismo, pelos menos para quem como nós procura o turismo activo de natureza e que afinal parece ser o futuro. Por fim atravessamos a Reserva Ornitológica de Mindelo que felizmente parece caminhar para paisagem protegida e logo de seguida o rio Ave com o Mosteiro de Stª Clara a servir de referência. O Jorge Maia (o próximo guardião da corrente) já estava à nossa espera. Com alívio lá lhe passei o testemunho, com as cerimónias e honras de costume na arte artesanal de cravar um elo na corrente da E@ e com mais uma reunião do grupo para a fotografia.
Dever e missão cumprida... Ufa, para a próxima serei apenas participante...
 
O regresso foi à vontade de cada um, eu e mais meia dúzia de amigos optamos por fazer nas calmas umas estradas secundárias, outros pela EN13 , quem era de Famalicão seguiu o seu caminho e outros optaram mesmo ir rapidinho para chegar a tempo do arroz de marisco, entre eles o avô Ximbra que nunca mais lhe vi a roda traseira...

 

Fotografias:  Abrasar Albuns e Miguel Sampaio.

Relato e fotografias do:  Prof. Augusto Sousa (Repórter X).

Blog do Pedro Brites: http://pedalandoporai.blogspot.com/

Blog da Estafeta: http://estafetavelocipedia.blogspot.com/

Site da Velocipédia: http://www.asespedal.net/velocipedia/

 Percurso GPS em ficheiro "gtm".

 

publicado por Abrasar às 16:47
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Quarta-feira, 14 DE Fevereiro DE 2007

O princípio do fim da publicidade?

Os meus filhos através da publicidade passada na televisão estão a ter contacto constantemente com um dos pecados mais utilizados pelo homem, a mentira.
Como Pai tenho a opinião de que não devo encobrir a mentira, afinal é uma realidade. Só tenho de dispender um pouco mais de tempo a explicar o sentido da mentira. Afinal até é compensador por ser mais um momento de conversa com os meus filhos.
Mas vejamos um exemplo:
 
Vivemos num concelho rural e o meu filho com nove anos e graças à prática do BTT, conhece bem a paisagem rural que o rodeia. Vê e percebe a utilidade dos campos de milho, que todos os anos é colhido, triturado e armazenado em silos rudimentares tapados com plásticos pretos. Sabe que esse milho serve de alimento para as vacas nas inúmeras vacarias existentes no concelho. Conhece bem o cheiro delas e vê os detritos das mesmas a correr para os ribeiros ou abandonados nos caminhos mais próximos. Aprendeu a reconhecer por experiência própria os dejectos das vacas nos caminhos quando passava inadvertimente por um e as rodas da sua BTT o lançavam em todas as direcções. Assim como já sentiu a repulsa e nojo quando caiu numa poça formada por água misturada com esgoto, despejado recentemente num campo por um tanque atrelado a um tractor, com o prepósito de servir de estrume para posterior plantação de milho. O meu filho sabe que as vacas estão confinadas a pequenos espaços e são por vezes libertadas em pequenos campos limitados por fitas eléctricas. Ele sabe por experiência transmitida pelo pai (pois já levei com um choque do caraças) que não deve tocar nessas fitas. Ele sabe que as vacas estão ali para dar leite. Ele vê e conhece os camiões tanques de recolha do leite que visitam as diversas vacarias. Ele conhece a marca da empresa que empacota o leite tratado. Ele sabe onde está a empresa e associa a sua marca ao leite das vacas que vivem no mesmo concelho onde vive.
 
Ele vê a publicidade dessa mesma marca na televisão mostrando que a qualidade do seu leite se deve ao selecionado alimento dos animais nas bonitas pastagens que mostra, e pergunta:
-         Pai estas paisagens não são as que conhecemos pois não?
Faço um esforço para ver se realmente associo alguma ao nosso concelho, mas impossível, planícies com sobreiros não abundam por aqui.
-         Não, não são filho. (respondo).
-         Pai as vacas não andam assim tão limpas!
-         Realmente as que vês na TV, estão mais limpas.
-         Pai aquilo que dizem sobre a alimentação das vacas, é mentira não é?
-         É... é meu filho, parece ser mentira...
publicado por Abrasar às 00:22
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