Escravidões da vida moderna.

Detesto fazer compras… Detesto escolher, já não tenho paciência e depois fico sempre com a sensação de pagar a mais por coisas supérfluas, como por exemplo por embalagens todas atractivas que acabam no aterro sanitário mais próximo, juntamente com o tempo perdido nessa coisa de comprar, que alguns nos querem convencer de ser um prazer…

Vejam um exemplo:

 

Vou ao supermercado fazer compras e começo por uma pasta de dentes. No meio de centenas delas há algumas marcas…

Qual delas levo?

Bem, igual à que usei este mês passado… Mas ao lado está uma em promoção!

Ok, levo essa da promoção. Mas, apesar da promoção é mais cara, porquê?! Olho com mais atenção, afinal tem mais quantidade de produto…

Mas outra embalagem logo ao lado está com o mesmo preço, será que tem a mesma quantidade? Dou quatro voltas à caixa e com dificuldade lá encontro a medida da quantidade, menos um bocado. Será que compensa? Esta diz que protege contra o tártaro, vou analisar pelo valor de preço-quantidade… Fico confuso… Afinal acho que mais importante que o tártaro é o flúor. Vou procurar antes uma com flúor.

Olha, afinal há muitas com flúor e branqueador!? Qual delas devo levar? A mais barata claro… Já com a caixa dentro do cesto lembro-me de ver a quantidade do produto… Afinal é mais barata, mas também leva menos quantidade de pasta de dentes… Ai, ai, ai…

Vou mas é comprar o arroz primeiro…  :(

 

É de loucos, não acham? Agora multipliquem este tempo perdido na escolha por uma dezena, duas dezenas ou mais produtos…? Num espaço fechado saturado de pessoas com luz e ar artificiais…? Ainda nos querem convencer que ter opção de escolha é uma qualidade de vida?

Vivam os produtos brancos digo eu, quero lá saber de marcas XPTO. Perder o menos tempo possível é o que eu quero, para ter mais tempo para jogar à bola com os meus amigos, nem que seja com uma bola de trapos, porque desta vida o que se leva de melhor é ter tempo, espaço e amigos para partilhar o gozo das nossas vidas.

 

Foto de Bruno Garrudo - StuckComeço a acreditar que os meninos da Polinésia que fazem surf nas suas belas praias com tábuas de madeira, ou com as cascas das arvores, despidos de todo o equipamento mais moderno, são bem mais felizes nestas suas brincadeiras do que os nossos com todas as modernas tecnologias das PlayStation.Foto de Bruno Garrudo - Stuck

 

E nós, todos vaidosos como pavões a mostrar as nossas máquinas limpinhas com os alumínios polidos a esforço de horas perdidas com “duraglit”, falando neste caso de bicicletas claro, seremos felizes?

Começo a convencer-me que não, porque passamos a escravos da máquina e quanto mais mecânica tiver e mais acessórios, maior será com certeza os seus caprichos.

Assim neste contexto despi-me já há algum tempo dos mais modernos caprichos no BTT, há muito que ando com uma BTT single-speed.

Este próximo Domingo, se tudo correr bem, vou estar presente com ela para participar na maratona em Esposende. É uma experiência que faço comigo mesmo para averiguar se me vou divertir menos do que os outros amigos com bicicletas XPTO … :)


Se sobreviver, prometo depois um relato da aventura.

Sei que nada disto está certo, não se preocupem é só um desabafo de uma minoria, eu...:)

publicado por Abrasar às 22:14
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