Os sonhos dos malucos pelo BTT...;)

 O amigo Prof. Augusto Sousa é daquelas pessoas que irradiam  felicidade, contagiando todos à sua volta e ainda nos brinda por vezes com prosas que são um verdadeiro luxo descritivo das aventuras sobre duas rodas movidas a pedal.
Este Domingo de 13 de Janeiro, foi um verdadeiro dia de Inverno rigoroso por estas terras do Douro Litoral, mas há sempre alguém que se aventura a andar de bicicleta... Ou será que só andam mesmo em sonhos?...
Nãaaaa... Eu já andei assim com este tempo... Ou será que foi também em sonhos...?!

"Carus amigus,

Hoje, Domingo, sonhei que o tempo estava com
vento MAS SECO! "Ok, vamos pedalar"... Há duas
semanas que saio com o meu filho mais velho, a
ver se ele se re-habitua (foi ele que me meteu o
vício...) e ele anseava por uma ida a Valongo...
"boa, lá vamos", continuei a sonhar!

Patus é que nem nem vê-los, são mais espertos do
que eu... e eu é que sou o velhote! Bem, nem
vê-los não é bem o termo, pois há alguém que "dá
Sapatadas" por todo o lado, mesmo em sonhos,
certo? E como dá muitas sapatadas, junta-se
sempre com grandes grupos... que admitem sempre mais um ou "dois empenados".

Campo/Vinhas, "VIRA À DIREITA" dizia alguém e
eu... "pronto, estava escrito, lá vem empeno";
Serra de Pias acima, upa, upa, pela vertente
nascente da serra, que raio de sonho havia eu de
ter... Já não me lembrava de ali subir... e
depois, bicla na mão, sobe que sobe a penantes
por entre os calhaus do corta fogo que conduz à crista da serra.

Mais metro, menos pedalada, andávamos nós no alto
e o meu rapaz perde-se... mau, para sonho isto
está ser mesmo do pior! É melhor mesmo é
deixarmos os senhores irem sozinhos, que isto
aqui não é para empenados; e lá continuámos os
dois, passando entretanto pelo alto da serra,
junto ao marco geodésico, de onde saímos descendo
por um trilho digno do pior sonho, quiçá
pesadelo! Pedras, calhaus; paus, troncos;
penedos, drops; aqui ou ali, era seguro fazer o
percurso a pé, e a estrada de asfalto chegou.

Em qualquer sonho aparece sempre alguém
desconhecido.

.. e esta não era excepção! O Paulo
Martins, sozinho pelas serranias, juntava-se
assim ao pequeno grupo porque, onde desce um
português, descem logo dois ou três (hum? se calhar não é bem assim...).
Ah, e a propósito, mesmo em sonhos, já começa a
ser necessário colocar uns semáforos naqueles
trilhos, que aquilo mais parece um teleférico,
vão uns a descer e outros tantos a subir!

Mas há sonhos terríveis e este passou a ser um
deles: a juntar ao vento que fazia, uns pingos de
chuva apareciam e, o pior, pasmai oh gentes, os
trilhos e estradões da zona, aqueles que tanto
amamos, tinham sido substituídos por confortáveis
estradas de paralelos ou mesmo alcatrão!

Lembram-se do extremo do estradão de Couce, do
lado de S. Pedro da Cova, com uns penedos a subir
que davam um aspecto esforçado e técnico à coisa?
Pois agora é uma autêntica auto-estrada, de
alcatrão, traços contínuos e tudo, que tem início
um pouco antes do final daquela descida
alucinante a que mui apropriadamente chamamos de Globo!

Mas, valha-nos S. Pedro, o que vale é que isto era tudo um sonho...

Por falar em S. Pedro... não é que ele resolve
disparar a bazuca das chuvas? Resolveu que hoje
era dia de treino de tiro... e que boa pontaria
tem! Chuva em cima do grupo, aquilo foi uma molha
e pêras pelo estradão acima (este em estado
natural mas com uma decoração nova baseada em
muitos jipes) até ao Sanatório de Valongo.

E foi sempre a aumentar o caudal pluvial, sim
senhor; bolas, mas que raio de "sonho molhado"!
Banho a culminar na Rotunda do Alto de Valongo,
sopa no centro da cidade, alguma lama no trilho
junto ao viaduto do comboio... e pronto, lá
estávamos nós a chegar a Vinhas, deixando o nosso
novo e simpático amigo Paulo Martins antes um
pouco de (finalmente!!!) pararmos de sentir
aquelas picadelas molhadas na cara... carro,
plásticos nos bancos, aquecimento no máximo...
Lar doce lar, aqui vou eu, banho quente já te encontro!

E olha, acordei! Acabou-se o sonho de um belo
Domingo, de vento, que se transformou em lago
chão e ao qual, todos quantos connosco se
cruzavam, fugiam a sete pedaladas... e els eram
muitos... mas nenhuns deles eram Patus, muito
menos Bravus! ;-) Foi melhor assim, afinal, foi só um sonho!

Pela minha parte, depois de curtir o empeno (sim
Vitor, feito em Valongo) num belo sofá, aqui
deixo estas linhas. Como gosto de vos contar
tudo, agora até mesmo os sonhos, espero que tenham gostado...

Resta-me a despedida, como de costume, com um:
"Adeus e até ao próximo empeno"
A. Augusto de Sousa"


tags:
publicado por Abrasar às 20:58
favorito | |  O que é?